Dino tira sigilo de decisões sobre investigação de corrupção no Maranhão

Patricia Calderon
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Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (Foto: Gustavo Moreno/STF)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (14) o fim do sigilo de três decisões relacionadas a apurações de possíveis crimes de corrupção no Maranhão. Entre os pontos investigados está o repasse de recursos por meio de emendas parlamentares para empresas que teriam ligação com uma organização criminosa. Fonte: CNN Brasil.

A documentação tornada pública descreve uma estrutura criminosa que, segundo a investigação, estaria relacionada a homicídio, corrupção, desvio de recursos públicos e tentativa de interferir no andamento das apurações.

De acordo com o inquérito, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) teria mantido contato com o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), com o objetivo de dificultar o avanço das investigações contra a organização criminosa.

A apuração aponta que Weverton teria recorrido à sua influência para atrasar no STJ um processo que envolvia integrantes da família Brandão, grupo que ocupa posição central na política do Maranhão, atualmente comandado pelo governador Carlos Brandão (MDB).

Informações extraídas do celular do senador teriam revelado uma relação próxima com o ministro do STJ. Segundo a Polícia Federal, Weverton fazia solicitações diretamente a Martins relacionadas a processos determinados e mencionava pessoas interessadas nos casos.

Um dos fatos analisados pelos investigadores ocorreu em 2 de junho de 2025, quando os dois tiveram uma conversa telefônica de aproximadamente cinco minutos. No mesmo dia, Humberto Martins determinou que Gilbson Júnior fosse transferido para Brasília. A Polícia Federal considera essa a última movimentação de relevância no processo, que posteriormente permaneceu sem novos avanços.

A investigação trabalha com a hipótese de que o senador teria recebido pagamentos da família Brandão para atuar em favor dos envolvidos e tentar influenciar o andamento do caso no STJ.

Outro nome citado é o do agente da Polícia Federal Edvar Rodrigues. Conforme a apuração, ele teria repassado informações protegidas por sigilo aos familiares dos investigados e exercido pressão para que eles não colaborassem com as autoridades.

O ex-deputado Raimundo Cutrim também aparece na investigação. Ele teria sido gravado enquanto orientava o pai de Gilbson Júnior a apresentar uma versão falsa dos fatos. Entre as instruções estaria a alegação de que a mulher do preso estaria passando fome como justificativa para o recebimento de dinheiro.

Ainda segundo a investigação, Cutrim teria levado R$ 160 mil em espécie à família, afirmando que o dinheiro havia sido enviado em nome de Marcus Brandão.

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