A trágica morte da pequena Helena, de apenas 10 meses, em Fortaleza (CE), segue sob intensa investigação após a constatação de que a bebê foi vítima de violência sexual antes de ir a óbito. Em meio à profunda dor da perda, a mãe da criança, Ysabelle Rodrigues, manifestou-se publicamente clamando por justiça e rebatendo acusações de cumplicidade. Agora, a situação ganhou contornos ainda mais dolorosos com o depoimento de Erisvaldo Almeida, pai de Helena. Em entrevista exclusiva concedida à jornalista Patrícia Calderón, no Canal do Paulo Mathias, ele revelou o sofrimento de não estar presente para salvar a filha e desabafou sobre a culpa que o consome:
“Eu me sinto mais culpado porque, nessa hora, nesse momento, eu não pude estar lá para proteger ela.”
Ao relembrar o exato momento em que recebeu a notícia devastadora, Erisvaldo descreveu um cenário de completo desespero, onde o luto quase o fez perder a própria fé:
“Na hora, o que passou na minha cabeça foi a morte. Pensei que se existisse Deus — que eu acho que nem existe mais —, Ele tivesse me levado lá mesmo. Na hora, eu não sei explicar o que senti, foi muita coisa ruim. Numa fatalidade dessas, não tem quem consiga pensar em nada.”
Apesar do chão ter sumido sob seus pés, o pai relatou que encontrou amparo inicial na postura das forças de segurança logo que chegou à delegacia, ainda na manhã do ocorrido:
“Fui até a delegacia na mesma manhã, por volta de meio-dia. Falei com os policiais e eles me atenderam muito bem, tanto os civis quanto os militares. Eles me disseram: ‘Cara, paizinho, relaxa, tem paciência. Tua filha se foi assim, mas a gente vai correr atrás de justiça. Esses caras vão pagar, todo mundo tem que ser preso’. Até então, eu estava sem chão, desacreditado.”
A dor de Erisvaldo, no entanto, estendeu-se para além do crime. Ele relatou a angústia burocrática para liberar o corpo da filha e, posteriormente, o início de um doloroso conflito familiar envolvendo o outro filho do casal, de apenas três anos:
“À tarde, me ligaram dizendo que precisavam do registro para tirar ela do IML. Vim em casa, procurei e não achei. Depois, conseguiram liberar o neném por uma foto que tínhamos. É muito triste… não sei o que vou fazer da minha vida sem a minha filha. E agora, eles não querem me deixar ver meu outro filho, de três anos. Dizem que ela está sofrendo, que todos estão sofrendo, mas a família dela não está nem aí para o meu sofrimento. Eu sou o pai! Sempre cuidei deles, sempre sustentei em tudo.”
Indignado, o pai questionou duramente a conduta de Ysabelle ao levar a bebê para o local onde o crime aconteceu, classificando a atitude como uma negligência injustificável:
“Não sei o que entrou na cabeça dessa mulher para levar a minha filha para dentro de uma casa com dois caras que, segundo ela, conhece desde a infância. Que amizade de infância é essa? Estou com ela há cinco anos e nunca conheci nenhum dos dois. Isso foi uma negligência, e negligência é crime. É um crime que tem que ter justiça. Não pode ser esquecido nunca, porque foi a minha filha hoje, mas amanhã pode ser a de outra pessoa.”
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