Governo Lula rebate EUA e cita mais de 30 reuniões sobre tarifaço

Nayara Vieira
2 min de leitura
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A intensa maratona diplomática entre Brasília e Washington não foi suficiente para evitar o “tarifaço” norte-americano. O governo de Lula (PT) realizou mais de 30 reuniões bilaterais com autoridades dos Estados Unidos, em diversos níveis técnicos e ministeriai, incluindo um diálogo direto entre Lula e o presidente Donald Trump. O esforço concentrado buscava conter as barreiras comerciais que vinham sendo gestadas na Casa Branca, mas as negociações acabaram esbarrando em exigências duras do governo norte-americano.

A cobrança da tarifa de 25% sobre a maioria das exportações brasileiras foi oficializada após o encerramento de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) baseada na Seção 301. O relatório final da diligência aponta uma lista diversa de queixas contra o Brasil: desde o sucesso do sistema de pagamentos Pix (citado mais de 20 vezes como prática desleal) até a suposta “censura” a big techs americanas (como X/Twitter, Meta e Google), além de cobranças sobre desmatamento ilegal e falhas no combate à corrupção.

Logo após o anúncio da medida, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, subiu o tom e responsabilizou diretamente o petista pelo fracasso diplomático. O chefe da política externa de Trump declarou publicamente que Lula “não negociou de boa-fé” com Washington, justificando o tarifaço como uma resposta inevitável à postura brasileira. A manifestação deixou claro que, para além dos critérios técnicos da investigação, há um forte componente de desgaste político na relação entre os dois países.

Apesar das críticas públicas vindas dos EUA, os dados de bastidores mostram que o Brasil buscou esgotar as vias de diálogo até o último minuto. O levantamento obtido pelo Metrópoles revela que, além dos intensos debates em nível técnico, ocorreram 11 reuniões ministeriais de alto escalão com figuras decisivas do governo Trump, incluindo o próprio Rubio e o chefe do USTR, Jamieson Greer. O desfecho desfavorável, contudo, sela um cenário desafiador para a economia e a diplomacia brasileira.

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