Ondas de calor na Europa impulsionam procura por aparelhos de ar-condicionado chineses

Nayara Vieira
2 min de leitura
Ondas de calor na Europa impulsionam procura por aparelhos de ar-condicionado chineses (Reprodução: Ludovic / MARIN AFP)

A intensa onda de calor que atingiu a Europa no fim de junho gerou um efeito positivo inesperado para grandes fabricantes chinesas de eletrodomésticos, impulsionada por uma realidade cultural e estrutural marcante: menos de 20% das residências europeias possuem ar-condicionado. Com recordes de temperatura sendo registrados em diversos países, a esmagadora maioria da população se viu desprotegida dentro de casa, transformando o alívio térmico em uma urgência imediata de consumo.

Diante desse cenário onde quatro em cada cinco lares carecem de refrigeração, os consumidores têm recorrido massivamente aos aparelhos portáteis como uma alternativa rápida e sem burocracia. Esse movimento beneficia diretamente gigantes como Midea Group, Haier Smart Home e Gree Electric Appliances. Como a taxa de penetração do sistema split tradicional é historicamente baixa no continente, os modelos portáteis ganharam força total por exigirem instalação simples e terem preços mais acessíveis.

De acordo com analistas de mercado, essa enorme lacuna de climatização nas moradias europeias deve sustentar um crescimento robusto nas exportações chinesas durante todo o verão no hemisfério norte. A Midea, por exemplo, antecipou-se à baixa presença de ar-condicionado na região e triplicou seus estoques, o que pode render um crescimento superior a 20% nas vendas do trimestre. A Haier também projeta uma expansão de dois dígitos para 2026, pegando carona nessa corrida dos europeus para climatizar suas casas.

Apesar do boom de vendas motivado pelo fato de a esmagadora maioria dos lares europeus ainda não contar com ar-condicionado, analistas ponderam que o sucesso no exterior dificilmente compensará a desaceleração do mercado doméstico chinês. A China continua sendo a principal fonte de receita dessas fabricantes, que hoje enfrentam desafios complexos em seu país de origem, como o consumo enfraquecido, a redução de subsídios governamentais e o aumento nos custos das matérias-primas.

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