Promotor diz não haver ligação entre PCC e sancionados pelos EUA

Patricia Calderon
3 min de leitura
O promotor Lincoln Gakiya (Foto Reprodução Redes Sociais)

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Ministério Público de São Paulo e responsável por investigações envolvendo o PCC há vários anos, declarou que não há elementos que associem os brasileiros sancionados pelo governo dos Estados Unidos à facção criminosa. A declaração foi feita durante entrevista concedida à rádio CBN.

De acordo com Gakiya, caso órgãos norte americanos, como o FBI ou o Departamento de Estado, possuam evidências dessa suposta ligação, elas não foram repassadas às autoridades brasileiras. “No caso do Ministério Público de São Paulo, a gente não tem qualquer informação ligando esses dois indivíduos ao PCC”, disse.

A manifestação do promotor ocorre depois que o governo dos Estados Unidos classificou o PCC como a maior organização criminosa do Ocidente e aplicou sanções contra dois brasileiros e três empresas sediadas em São Paulo. As medidas foram justificadas pela suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado à facção.

Entre os nomes atingidos pelas sanções está Victor Henrique Shimada. Segundo informações divulgadas pela Casa Branca, ele teria movimentado mais de 30 milhões de dólares em operações de lavagem de dinheiro utilizando criptomoedas.

No Brasil, Shimada já era alvo de investigação por suspeitas de envolvimento no desvio de recursos de publicidade ligados a um contrato entre o Corinthians e uma empresa do setor de apostas esportivas. Até o momento, porém, não há qualquer indício de associação com terrorismo. Em entrevista concedida ao ICL Notícias, em maio deste ano, Gakiya também descartou a possibilidade de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

Na avaliação do promotor, uma eventual classificação nesse sentido deslocaria o enfrentamento dessas organizações do campo policial para a atuação de estruturas militares e de agências de inteligência, como a CIA. Segundo ele, essa mudança poderia dificultar a troca de informações entre Brasil e Estados Unidos e comprometer a cooperação já existente no combate ao tráfico de drogas, armas e pessoas.

O debate também levanta dúvidas sobre a atuação dos Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado internacional. Isso porque o país é frequentemente apontado como origem de parte das armas e drogas que chegam ao Brasil, enquanto medidas consideradas efetivas para interromper esse fluxo ainda são alvo de questionamentos.

A decisão do governo norte americano ocorre em um cenário de fortalecimento da extrema direita em países da América do Sul, após vitórias eleitorais em Peru, Colômbia, Argentina e Paraguai, além da proximidade das eleições brasileiras previstas para 2026.

MARCADO:
Compartilhar este artigo