O debate pelos números de audiência no Brasil se intensifica nos últimos dias devido ao início da Copa do Mundo e a contabilização dos números em variados veículos e meios de comunicação.
Entretanto, alguns dados precisam ser explícitos: o Painel Nacional da Televisão (PNT) do IBOPE não contabiliza 100% da população do país. Na realidade, são aproximadamente 37% da população que tem acesso à TV aberta, já que 69 milhões é o número que o PNT, que cobre as 15 principais praças do Brasil, contabiliza. Chega-se a este número pensando na lógica de porcentagem do IBOPE. 1 ponto de audiência equivale a 699.962 pessoas e a 1% do total do PNT. Logo, 100 pontos de audiência equivalem a 69.996.200 pessoas e a 100% do total do PNT.
Seguindo esta lógica, em relação à população brasileira, que soma cerca de 213.500.000 pessoas, há uma diferença considerável. Esta diferença diminui em comparação com a população que tem acesso à TV no Brasil (94% de toda sociedade nacional), que chega a algo próximo de 200.690.000. Fazendo o cálculo com quem tem acesso à TV aberta no país, (88% da população), a soma é de 187.880.000 de pessoas.
Logo, num cálculo mais profundo, 69.996.200 de pessoas (número que o PNT alcança) equivalem a 1/2,87 da população com acesso à TV num geral. Isto representa 34,8%. Comparando com a televisão aberta em si, os 69.996.200 do PNT equivalem a 1/2,68, que representam 37,3% da população que tem esse alcance à TV aberta. Em relação à toda sociedade brasileira, 69.996.200 representa 1/3,05, o equivalente a 32,8%. Logo, o PNT representa praticamente 1/3 da população num geral, concentrando apenas moradores de grandes metrópoles e ignorando os interiores do país.
Num cálculo com o YouTube, aproximadamente 144 milhões de brasileiros tem acesso à plataforma. 69.996.200 do PNT representam 1/2,06, o que equivale a 48,5%. Nesse sentido, o IBOPE conta 51,5% a menos público que o cálculo do YouTube Brasil, que é exposto na CazéTV, por exemplo. Os 5,1 milhões de simultâneos alcançados durante a abertura da Copa do Mundo 2026 não podem ser comparados exatamente, por exemplo, com os 3,1 milhões alcançados simultaneamente pelo SBT (o pico de público no PNT foi de 4,5, que é aproximadamente 3,1 milhões de pessoas nas 15 principais praças do país). Um cálculo que se aproxima mais da realidade coloca a CazéTV na proporção de alcance do PNT, dividindo os 5,1 milhões em 2,06, que resulta em 2,47 milhões de pessoas alcançadas proporcionalmente ao PNT da TV aberta. O SBT, por sua vez, alcançou 3,1 milhões, seguindo esta medida.
Agora, colocando o SBT numa métrica aproximada que abrigaria toda população que tem acesso à TV aberta, seria necessário multiplicar estes 3,1 milhões por 2,68, o que resultaria em 8,3 milhões de telespectadores simultâneos, também acima dos 5,1 milhões brutos da CazéTV, em relação ao alcance do YouTube. Isto não é exatamente um dado, já que não há aferição nas regiões interioranas do Brasil, mas é um número que traz uma noção de alcances, já que proporciona melhor os cálculos de TV aberta e streaming.
Ainda sobre a Copa do Mundo, o TV Pop revelou que o SBT alcançou (aqui, entende-se, pessoas que viram por pelo menos 1 minuto) 13 milhões de telespectadores no dia da estreia do torneio, de acordo com os dados do PNT. Se este dado fosse equiparado ao verdadeiro alcance da TV aberta, o SBT teria aproximadamente 34.840.000 de espectadores como resultado.
Um outro exemplo interessante é com a novela das 9 da Globo, atualmente “Quem Ama Cuida”. A média da trama no PNT é algo em torno de 20 pontos de audiência, o que é equivalente a 20% dos 69 milhões de pessoas que o IBOPE contabiliza, algo próximo de 14 milhões. Desta mesma forma, num cálculo sem bases reais, apenas para efeitos de comparação, seriam 20% dos 188 milhões com acesso à TV aberta, o que resultaria em algo perto de 37,6 milhões de telespectadores médios da trama. Ou seja, o público fiel. Mais uma vez: estes resultados não se tratam de dados. São números para serem comparados para que se entenda a diferença de um cálculo do IBOPE com o cálculo que poderia vir a acontecer caso tivéssemos uma contagem verdadeiramente nacional, e não restrita às regiões metropolitana, que não representam sequer metade do Brasil.
OBS.: Este artigo foi escrito por um estudante de jornalismo, leigo, mas que buscou entender essa lógica do IBOPE e fez um estudo com base em números do último Censo, do próprio IBOPE e cálculos matemáticos aproximados.
