Deolane tentou censurar o SBT

Nayara Vieira
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Dez dias antes de ser presa por suspeita de lavagem de dinheiro, a influenciadora Deolane Bezerra sofreu uma derrota definitiva na Justiça de São Paulo, que negou seu pedido para remover do ar uma reportagem do SBT sobre sua suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O processo já foi arquivado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Procurada por e-mail e WhatsApp, a defesa de Deolane não respondeu aos contatos, enquanto o SBT declarou que não comentará o assunto.

A ação judicial foi motivada por uma reportagem veiculada em setembro de 2022 que continuava disponível nas plataformas digitais da emissora. Deolane decidiu acionar a Justiça após sua empresa ser notificada pelo banco BTG Pactual em janeiro de 2025, durante uma análise de perfil para investimentos. A influenciadora alegou ter sofrido constrangimento com a abordagem da instituição financeira, argumentando que a matéria jornalística se referia a um processo antigo e já arquivado. Ela acusou o SBT de disseminar “fake news” e de perpetuar condutas discriminatórias sem qualquer fundamento jurídico.

No entanto, a 1ª Câmara do Direito Privado do TJ-SP rejeitou a solicitação em última instância recursal. O desembargador Enéas Costa Garcia, relator do caso, apontou que não havia elementos que comprovassem as alegações de Deolane. O magistrado avaliou que a emissora se respaldou em uma investigação real da Polícia Civil e em relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). Ele destacou que a exclusão da matéria configuraria censura, ressaltando que o conteúdo possui natureza estritamente jornalística, aborda um fato de conhecimento público e de interesse coletivo, e não apresenta caráter difamatório ou ofensivo.

Os relatórios do Coaf que serviram de base para a reportagem do SBT estavam entre as evidências apresentadas pela polícia paulista para sustentar o pedido de prisão de Deolane, que já havia sido negado anteriormente pela Justiça. A influenciadora acabou sendo detida no âmbito da Operação Vérnix, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa por meio de uma transportadora de fachada. A mesma operação também cumpriu mandados contra parentes e contra o próprio Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como o líder máximo do PCC e que está detido em uma penitenciária federal de segurança máxima. Segundo os investigadores, a quebra de sigilo bancário demonstrou que Deolane movimentou milhões de reais em nome da facção, utilizando sua estrutura financeira e sua aparente respeitabilidade social para introduzir o capital do crime organizado no sistema financeiro formal.

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