PL muda de posição, passa a apoiar fim da escala 6×1 e defende jornada 4×3

Nayara Vieira
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O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou na noite de terça-feira (26/5) que o partido apoiará a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 — modelo em que o funcionário trabalha seis dias para um de descanso. A decisão, tomada após uma reunião da bancada da legenda, representa um reposicionamento importante do partido no debate sobre a redução da jornada de trabalho no país. Como estratégia, a sigla pretende apresentar um destaque de preferência para incluir no texto a adoção da escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três de descanso), defendendo a alternativa como uma forma de valorizar o convívio familiar e a qualidade de vida do trabalhador.

Durante seu discurso no plenário da Câmara, cercado por correligionários, Sóstenes fez questão de marcar a posição favorável do PL à diminuição da carga horária e aproveitou o momento para provocar os partidos de esquerda. O líder declarou que o partido quer ver o trabalhador descansando mais com sua família e desafiou os parlamentares petistas a darem seu apoio à proposta. Na ocasião, o deputado também acusou o governo federal de agir de forma hipócrita e oportunista por tratar do tema em período eleitoral, fazendo um apelo público para que deputados do PT, do PSOL e de partidos de centro votem a favor da iniciativa em plenário.

Apesar do anúncio de apoio, a tramitação da PEC sofreu um novo atraso na última segunda-feira devido a uma manobra interna da própria legenda. O deputado Maurício Marcon (PL-RS) pediu vista da proposta na comissão especial, utilizando o mecanismo que concede mais tempo para a análise do texto antes da votação. Marcon argumentou que a medida é necessária porque, segundo sua visão, o projeto atual pode acabar restringindo, por lei, o direito de trabalhadores que tenham interesse em cumprir jornadas superiores a oito horas diárias.

A proposta, que está sob a relatoria do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), prevê uma transição e redução gradual da jornada semanal de trabalho. Pelo texto em análise, a carga horária total cairia das atuais 44 horas para 42 horas semanais em um prazo de até 60 dias após a promulgação da PEC. Em uma segunda etapa do cronograma, prevista para acontecer em até 12 meses, a jornada passaria por um novo corte, sendo fixada definitivamente em 40 horas semanais.

Esse debate sobre a flexibilização das relações trabalhistas ganhou forte tração nas últimas semanas dentro do Congresso Nacional, impulsionado principalmente por movimentos sindicais e parlamentares que exigem mudanças no modelo atual. No entanto, o tema ainda enfrenta resistência e divide opiniões na oposição e em setores da centro-direita, como o PP e membros do próprio PL; esses parlamentares argumentam que uma redução obrigatória da jornada pode elevar significativamente os custos operacionais das empresas, pressionar a inflação e acabar gerando demissões em massa.

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