Diante da apertada agenda oficial do presidente Donald Trump, que se encontra fortemente concentrado nas negociações de um acordo diplomático sobre a guerra do Irã, o senador e pré-candidato do PL à sucessão presidencial, Flávio Bolsonaro, avalia estender sua permanência em Washington. O cronograma inicial previa que o parlamentar retornasse ao Brasil nesta quarta-feira (27), mas o impasse para a realização de um encontro nesta terça-feira (26) fez com que ele considerasse adiar o voo de volta, na expectativa de conseguir uma nova brecha na concorrida rotina do mandatário americano.
Embora o cronograma público de Trump não tenha listado uma audiência com o senador brasileiro para o dia de hoje, a equipe de Flávio mantinha esperanças de que o encontro ocorresse de forma reservada durante os compromissos políticos do americano programados para o período da tarde. Caso o diálogo direto com o chefe da Casa Branca seja inviabilizado, aliados monitoram a possibilidade de uma reunião alternativa com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ou mesmo com senadores da ala conservadora, com o objetivo de obter apoios e acenos internacionais ao seu projeto de disputar o Palácio do Planalto.
Na pauta dos encontros bilaterais, Flávio Bolsonaro pretende concentrar esforços na área de segurança pública, defendendo que as facções criminosas brasileiras sejam oficialmente classificadas como organizações terroristas pela comunidade internacional. Essa estratégia discursiva busca alinhar os planos de governo do pré-candidato do PL à rígida doutrina de segurança externa defendida pela administração americana, o que geraria importantes dividendos eleitorais e fortaleceria sua imagem junto ao eleitorado de direita no Brasil.
Por outro lado, o Palácio do Planalto acompanha de perto as movimentações da oposição em Washington e já articula uma firme contraofensiva diplomática para esvaziar os efeitos políticos da viagem de Flávio. A estratégia desenhada pelo governo federal prevê que, caso o pré-candidato obtenha sucesso em suas agendas de alto nível, o chanceler brasileiro Mauro Vieira seja imediatamente acionado para entrar em contato com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, assegurando a blindagem da narrativa oficial do Estado brasileiro.
