A viagem do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a Washington sofreu um revés político nesta terça-feira (26). A agenda oficial divulgada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não inclui o encontro esperado pelo parlamentar brasileiro para o dia de hoje. Flávio havia embarcado para a capital americana no último domingo (24) com a expectativa de ser recebido por Trump na Casa Branca, mas a programação do líder americano prevê apenas uma visita ao Centro Médico Militar Walter Reed e reuniões políticas reservadas no Salão Oval.
O principal objetivo da viagem era obter uma foto e um aceno político de Trump para tentar recuperar fôlego na corrida eleitoral ao Palácio do Planalto. O pré-candidato do PL busca conter os danos de uma crise política recente no Brasil, desencadeada pela revelação de seus contatos com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do já liquidado Banco Master. Com a ausência de Trump na agenda, interlocutores em Washington buscam alternativas para não esvaziar o peso político da comitiva brasileira.
Segundo apuração da CNN Brasil, aliados do entorno de Flávio Bolsonaro admitem agora que a reunião na Casa Branca pode ocorrer com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e não com o chefe de Estado. O motivo para a mudança seria a complexa gestão de tempo de Donald Trump, que na última segunda-feira ordenou ataques contra instalações de mísseis e embarcações iranianas no Estreito de Ormuz. As operações militares ocorreram em meio a um tenso cessar-fogo e a negociações internacionais em andamento para tentar pôr fim à guerra na região.
Caso a agenda com a cúpula do governo americano seja confirmada, a expectativa dos aliados é que Flávio Bolsonaro aborde temas de forte interesse de Washington que possam gerar dividendos eleitorais para sua própria campanha. O foco principal das conversas deve ser o combate ao crime organizado transnacional. O senador planeja defender a equiparação de facções criminosas brasileiras a organizações terroristas, uma bandeira que se alinha diretamente à doutrina de segurança externa defendida pela atual administração dos Estados Unidos.
