A advogada criminalista e influenciadora digital Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante a “Operação Vérnix”, uma ação conjunta entre o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Civil. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro com indícios de ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O patrimônio milionário e bens de luxo
O desdobramento policial joga luz novamente sobre o expressivo patrimônio acumulado por Deolane, estimado em até R$ 100 milhões, com rendimentos mensais que variam entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões. O montante é fruto de sua atuação na advocacia, publicidade e negócios digitais. Entre os bens mais valiosos da influenciadora estão 12 imóveis — incluindo uma mansão em Alphaville avaliada em R$ 8,7 milhões e uma casa temática em Orlando, nos Estados Unidos — além de uma frota de carros de luxo que conta com modelos das marcas Porsche, Lamborghini e Land Rover.
Império empresarial e faturamento digital
No ecossistema empresarial, Deolane lidera cerca de seis empresas de ramos distintos. O destaque fica para a “Zeroumbet Plataforma Digital LTDA”, sua própria casa de apostas online que possui um capital social declarado de R$ 30 milhões, e para a marca de cosméticos “Deo Beauty”. O império financeiro também é impulsionado por sua forte presença digital; com mais de 20 milhões de seguidores no Instagram, a advogada chega a faturar R$ 50 mil por uma única postagem publicitária e cerca de R$ 150 mil por presenças VIP de duas horas em eventos.
Logística do esquema e ligação com a cúpula
De acordo com as investigações da Operação Vérnix, o esquema financeiro utilizava a transportadora Lopes Lemos Transportes (também conhecida como Lado a Lado Transportes), sediada em Presidente Venceslau (SP), como uma suposta empresa de fachada para movimentar recursos ilícitos da facção criminosa. A operação tem como alvos não apenas a influenciadora, mas também membros da cúpula do grupo, incluindo familiares de Marco Herbas Camacho, o Marcola, que cumpre pena em presídio federal de segurança máxima.
Movimentações fracionadas e o papel do “Player”
A acusação aponta que, entre os anos de 2018 e 2021, a conta bancária de Deolane teria recebido repasses em espécie que somam mais de R$ 1 milhão. As autoridades informaram que as transações eram fracionadas em valores inferiores a R$ 10 mil para evitar os alertas dos órgãos de controle financeiro. O fluxo era coordenado por um intermediador identificado pelo codinome “Player”, que direcionava os depósitos para a conta da advogada a fim de realizar os chamados “fechamentos” mensais do grupo.
Mandados judiciais e próximos passos
Ao todo, a força-tarefa cumpriu seis mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão, inclusive na residência de Deolane em Barueri (SP). A pedido do MP-SP, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros e a apreensão de 39 veículos de alto padrão, avaliados em aproximadamente R$ 8 milhões. O caso segue sob segredo de Justiça enquanto as defesas dos envolvidos trabalham para contestar as medidas e comprovar a legalidade dos bens e valores movimentados.
