Há mais de um mês, o tenente-coronel Geraldo Neto divide uma cela com outros três policiais militares no Presídio Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. Preso preventivamente desde 18 de março, o oficial é acusado de matar a tiros sua esposa, a soldado Gisele Alves, de 32 anos, dentro do apartamento do casal no Brás. Enquanto a investigação aponta que o crime teria sido motivado pela recusa do marido em aceitar o fim do relacionamento, o militar nega as acusações e sustenta a tese de que a mulher cometeu suicídio após ele pedir o divórcio.
No sistema prisional militar, Neto mantém sua patente, embora esteja impedido de exercer qualquer autoridade hierárquica. Ele cumpre uma rotina que inclui até cinco refeições diárias — entre café da manhã, almoço, jantar e lanches complementares — além de duas horas diárias de banho de sol. Imagens obtidas recentemente registraram o momento em que o tenente-coronel foi recebido com abraços por outro policial ao chegar à unidade, levantando questionamentos sobre o tratamento dado ao oficial.
Atualmente, o acusado encontra-se no chamado “estágio vermelho”, a fase inicial e mais restritiva do regime fechado para novos internos. Nesse período de adaptação, a circulação pelo presídio é limitada e as saídas da cela ocorrem prioritariamente para o banho de sol ou para reuniões com advogados, que podem ocorrer por tempo indeterminado. A permanência mínima nesse estágio é de 30 dias, servindo como uma base de observação do comportamento do detento antes de qualquer flexibilização.
A defesa do oficial, representada pelo advogado Eugênio Malavasi, informou que o cliente deve progredir de estágio em breve, dependendo das avaliações internas da Secretaria da Segurança Pública. Apesar do rigor formal da detenção, o caso segue gerando repercussão devido ao contraste entre a gravidade do crime imputado pelo Ministério Público e os detalhes da rotina de custódia do oficial de 53 anos.
