A vereadora de Teresina, Tatiana Medeiros, condenada a 19 anos e 10 meses de prisão, mantém seu cargo e o salário superior a R$ 25 mil enquanto aguarda o trânsito em julgado de sua sentença. Presa desde abril de 2025, ela foi apontada como a líder de um complexo esquema de compra de votos nas eleições de 2024, envolvendo crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato. A defesa classifica a decisão como injusta e planeja recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), enquanto a Câmara Municipal afirma seguir o rito constitucional até que não haja mais possibilidade de recursos.
O esquema criminoso contava com uma estrutura familiar e de assessoria direta, resultando em condenações pesadas para o núcleo próximo da parlamentar. O namorado de Tatiana, Alandilson Cardoso Passos, recebeu uma pena de 16 anos por agiotagem e violação do sigilo do voto, enquanto seu padrasto, Stênio Ferreira Santos, e sua mãe, Maria Odélia de Aguiar, foram condenados a 13 e 14 anos, respectivamente. Juntos, os envolvidos foram sentenciados ao pagamento de uma multa solidária de R$ 1 milhão para reparação de danos aos cofres públicos.
A investigação revelou que o Instituto Vamos Juntos funcionava como fachada para o recrutamento de eleitores em comunidades carentes. No local, funcionários como Sávio de Carvalho França e Bruna Raquel Lima Sousa — também condenados a penas que variam de 6 a 9 anos — operavam a distribuição de benefícios em troca de apoio político. Provas colhidas em celulares mostraram listas de votação com anotações de pagamentos via PIX, confirmando o uso da ONG para desviar recursos públicos e consolidar o poder eleitoral da família.
Além do círculo familiar, a assessora Emanuelly Pinho de Melo e a irmã da vereadora, Bianca dos Santos Teixeira Medeiros, foram condenadas a quase 8 anos de prisão cada. O esquema movimentou cifras impressionantes: a Justiça identificou créditos de R$ 2,1 milhões nas contas de Tatiana, um valor 300% superior à sua renda declarada, especialmente durante o período eleitoral. Enquanto o grupo cumpre as penas inicialmente estipuladas, o único absolvido por falta de provas no processo foi Lucas de Carvalho Dias Sena, cunhado da parlamentar.
