O Ministério Público do Rio Grande do Sul recebeu e passará a analisar o inquérito policial sobre o desaparecimento da família Aguiar, um caso que chocou o estado nos últimos três meses. A investigação, concluída pela Polícia Civil na última sexta-feira (17), indiciou seis pessoas suspeitas de envolvimento em uma complexa rede de crimes. Ao todo, nove diferentes tipificações penais foram listadas, revelando uma trama de violência e ocultação de provas orquestrada por familiares e amigos próximos.
Cristiano, apontado como o principal executor, foi indiciado por nove crimes graves, incluindo feminicídio, duplo homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Segundo o inquérito, ele teria utilizado um software de inteligência artificial para clonar a voz de Silvana, uma das vítimas, com o objetivo de despistar as autoridades e atrair os pais dela para uma emboscada fatal. Além dos homicídios, pesam contra ele acusações de furto qualificado, falsidade ideológica e fraude processual.
Sua atual esposa, Milena Ruppenthal Domingues, é considerada uma peça fundamental no “pós-crime”. De acordo com o delegado Diego Traesel, ela teria manipulado dados, conduzido depoimentos e excluído contas digitais para encobrir evidências, incluindo o descredenciamento do aplicativo de clonagem de voz após a prisão de Cristiano. O casal também foi flagrado furtando aparelhos televisores da residência de Silvana, uma conduta que a polícia classificou como totalmente incompatível com a esperança de que a vítima retornasse.
O irmão de Cristiano, Wagner Domingues Francisco, também foi indiciado por ocultação de cadáver e fraude processual. A polícia baseia a suspeita no desaparecimento de Wagner durante um período crítico de 13 horas e na presença de seu DNA no telefone de uma das vítimas. Além disso, os investigadores acreditam que ele ajudou na destruição de provas físicas, como o recolhimento de HDs de câmeras de monitoramento que poderiam ter registrado os movimentos dos criminosos.
A rede de apoio incluiu ainda Paulo da Silva, um amigo próximo com conhecimentos em informática, indiciado por falso testemunho e associação criminosa. Ele teria atuado na “limpeza” de evidências digitais e mentido em depoimento para proteger Cristiano, em uma fala que a polícia provou ter sido orquestrada por Milena. A investigação documental confirmou que a tentativa de criar um álibi ou versão favorável ao autor foi planejada coordenadamente entre os envolvidos.
Por fim, a mãe de Cristiano, Maria Rosane Domingues Francisco, e sua sogra, Ivone Ruppenthal, também foram indiciadas por fraude processual e associação criminosa. Ambas teriam participado ativamente da remoção de discos rígidos e da manipulação de mensagens para apagar vestígios que pudessem incriminar o grupo. O inquérito agora está sob análise do Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento da denúncia à Justiça gaúcha.
